segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Nada mais bonito do que um casal admirando-se

Não vejo o amor sem a admiração. Admirar é desejar ser igual estando junto. Admirar-se. Admirar a gentileza do homem jurando por Deus. Admirar sua lealdade com os amigos. Admirar seu jeito esforçado de assumir as contas. Admirar seu cuidado treinado com os idosos, cedendo assentos e lugares nas frases. Admirar os princípios herdados dos pais. Admirar sua masculinidade em sobrecarregar no abraço. Admirar seu riso infantil, sua ingenuidade no tropeço. Admirar sua vivacidade em brincar. Admirar, admirar-se. Admirar a conversa que tem com o filho sobre quem cuida de Deus. Admirar seu temperamento sereno em noites de chuva. Admirar sua inquietude para sair com o sol. Admirar sua concentração numa música nova. Admirar inclusive quando ele amarra os sapatos, debruçado como a água nas escadas. Admirar seu nervosismo nas provas, nos concursos, nos exames do trabalho. Admirar sua letra com ânsias de terminar. Admirar sua falta de jeito em dançar, compensada pela alegria de estar contigo. Admirar seu modo de transar, sua fixação por poltronas. Admirar quando ele interdita o dia para arrumar aparelhos quebrados. Admirar o perfeccionismo que o impede de ser totalmente seu. Admirar quando ele dorme no meio do filme e finge que assistia. Admirar suas mentiras encabuladas. Admirar, admirar-se. Admirar sua disposição em ser mais velho no medo e ser mais novo no aniversário. Admirar suas meias sem par na gaveta, suas fotos esquecidas de datas, seus recados de telefone faltando números. Admirar sua capacidade em desmemoriar compromissos. Admirar ao circular o sabão nos seios como se fosse uma vidraça. Admirar seu talento em provocar amizades no trem ou na rua, pouco preocupado em se preservar. Admirar quando urra desaforos no estádio, logo ele tão civilizado, tão cordato na família. Admirar quando chora e não se enxerga lágrimas, um choro de soluços, recalcado. Admirar sua vocação para pegar a joaninha da gola e a pôr novamente na grama. Admirar como disfarça que perdeu um botão abrindo as mangas ou o zíper quebrado colocando a camisa para fora. Admirar suas palavras de amor, incompreensíveis, mas terrivelmente musicais, e dizer "não entendi", para escutar outra vez. Admirar suas calças apertadas, justas como minhas pernas nas dele na cama. Admirar sua respiração pesarosa com o luto. Admirar sua caça de baratas voadoras pela sala e perceber que ele tem mais pavor do que eu. Admirar quando gosta de um livro e me conta tudo como se eu nunca fosse ler. Admirar quando fica bêbado e se enrola no cobertor do meu casaco, desculpando-se por aquilo que ainda não fez. Admirar seus roubos nos tabuleiros de criança. Admirar sua dificuldade em se livrar dos pijamas gastos. Admirar sua barba por fazer em minhas coxas. Admirar quando me busca antes de pedir.

Pode-se admirar um homem sem amá-lo. Mas não amar um homem sem admirá-lo.

Fabrício Carpinejar

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Projeto do Inter para a Copa de 2014

"The Corrs" Um grupo que me recomendaram esses tempos

Fui ver como era o som deles e gostei, então estou compartilhando.

O The Corrs é uma banda de folk rock celta da Irlanda constituída por três irmãs e um irmão da família Corr: Sharon, Caroline, Andrea e Jim. Ganharam proeminência no final da década de 1990 e já ultrapassaram a marca de sessenta milhões de álbuns vendidos pelo mundo, com vários compactos atingindo a primeira posição das paradas na Europa, Austrália e Estado Unidos da América.

Segue um video deles para que vocês possam tirar as suas próprias conclusões.

"eScala" o novo grupo de duas ex "Wild"

Izzy Johnston e Chantal Leverton ,que tocavam violino no grupo "WILD", atualmente tocam na "eScala", grupo composto por quatro mulheres. Faz um som bem mais clássico que o produzido nos tempos da "WILD", mas muito bom também.


Integrantes da "eScala":
Victoria Lyon (Violino),Chantal Leverton (Viola), Nastasya Hodges (Cello) e Izzy Johnston (Violin)

Uma amostra do trabalho produzido pelo grupo...



Mais informações sobre elas podem ser encontradas nos site:
www.escalagroup.co.uk/
www.communityfansites.com/scala/portal.php

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Wild: Um grupo inglês excelente.


Estes dias estava procurando algo pra assistir na TV e um dos canais estava apresentando um show do grupo "WILD" que até aquele momento eu nunca havia ouvido.

Então dei uma pesquisada e descobri que...

Wild é o grupo formado pelas violinistas Katie Fenner, Izzy Johnston e a violista Chantal Leverton, da Inglaterra, e as pianistas Andjelka Ristic e Iva Cojic, que também faz os vocais, da Sérvia.Formado em 2005,o grupo possui apenas um álbum,entitulado "Time".Com grande sucesso na Europa, o álbum traz um novo conceito musical que foi batizado de “clássico contemporâneo”.
O grupo acabou no ano seguinte por motivos não esclarecidos.Vale a pena conferir o cd da banda.

Como gostei bastante e resolvi postar dois videos delas, das musicas que mais gostei.
Este é da musica "No More".



Esta musica é "Hipnotic":

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Os outros

Paulo Sant´Ana

Quando eu era criança, nunca tive desejo de ter um carro. Porque morava num lugar em que não passavam carros. Lá distante, onde era a Avenida Aparício Borges, onde só minha vista alcançava, eu via que passavam os carros, mas não fazia a menor idéia de quem eram seus donos. Eu só fui ter desejo de ter um carro quando identifiquei os donos dos carros e vi que eles eram diferentes de mim por eu não ter carro. Foi a minha primeira comparação, o abismo que me levou a achar que os outros eram mais felizes do que eu.
***
O que quero dizer é o seguinte: se olharmos só para o que somos, temos mais chances de sermos felizes. O diabo é que não é isso que acontece: vivemos nos espelhando nos outros, a nossa aflição consiste em tentarmos ter o que os outros têm, quando não termos mais do que os outros, sermos melhores ou iguais aos outros.
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Em Cuba, por exemplo, onde todos são pobres, todos ganham pouco, ninguém se julga infeliz. Os cubanos infelizes são aqueles que sabem que a poucos quilômetros da ilha existe Miami, os EUA, onde as condições de vida dos norte-americanos são infinitamente melhores que as dos cubanos. Isso passa a ser insuportável, pois se instala neles a idéia de que suas vidas são muito piores que as dos seus vizinhos norte-americanos.
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Em outras palavras, só pode ser feliz quem não acha os outros mais felizes. Toda a encrenca humana reside em nos compararmos com nossos vizinhos, isto é, com os outros. Sempre que acharmos que alguém é mais feliz do que nós, acabaremos sendo infelizes. É muito difícil para os humanos encarar com naturalidade a felicidade dos outros, até mesmo porque aos nossos olhos invejosos os outros são mais felizes do que realmente o são. O próprio Sartre disse que “o inferno são os outros”. O que quer dizer que nós teríamos muito mais chances de sermos felizes e realizados se olhássemos só para nós.
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Por isso é que os livros sagrados dizem que ser rico não é possuir todas as riquezas, no nosso caso muito dinheiro, muitas propriedades, viajar para onde nos apetecer. Ser rico, dizem os livros sagrados, é contentar-se com o que se tem. Se há um segredo de felicidade é este: achar que é bastante o que se possui, sem olhar para o que possuem os outros. Sei que estou dando uma receita quase impossível de seguir, mas também sei que é a única receita capaz de levar uma pessoa a ser feliz.
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Pelo amor de Deus, isso não quer dizer que o homem não deva ambicionar, até mesmo porque a razão central do progresso dos homens e das nações é a ambição. Mas a ambição deve ser uma meta, uma trilha a seguir, e não o despeito por ver que os outros têm mais do que nós. Ou seja, a felicidade está apenas no que somos e no que desejamos ser, mas sem nos importarmos com o parâmetro alheio. Assim, justo é que queiramos crescer porque vemos que há espaço para crescermos – e não porque entendemos que os outros estão mais crescidos. Fôssemos ser infelizes porque possuímos menos do que os outros, teríamos que paralisar, cruzar os braços e nunca mais avançar quando constatássemos que outros possuem muito menos do que nós.